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quarta-feira, 1 de julho de 2015

Espanha em duas contradições

Hoje entrou em vigor a tal "ley mordaza". Formalmente são modificações a já existente “ley de seguridad cuidadana”, uma roupa nova e mais dura as formas das manifestações publicas por exemplo. Agora a “resistência pacifica” pode ter pena de multa. Ficar sentado e em silencio pode render em multa caso a pessoa se negue a “dissolver reuniões y manifestações em lugares públicos” ordenados pela “autoridade competente”. Existem várias classes de multas, entre 100 a 600 mil euros.

Para quem pensa que “ok, menos baderneiros e Black Bloc”, vou para o exemplo do Greenpeace. Afinal, todos somos verdes e amamos as baleias, né? Ontem eles coloraram uma bandeira enorme em um guindaste perto do Congresso dos Deputados em Madrid. 
O Protesto é um direito.

Protesto pacífico e efetivo como eles sabem fazer. Pois se fosse hoje o Greenpeace estaria agindo contra a lei. Total restrição de liberdades!

Por outro lado, também essa semana, Madrid esta toda colorida para celebrar o Orgullo2015 e os 10 anos de matrimonio igualitário. Espanha é um pai pioneiro em garantia das igualdades jurídicas. Até os órgãos estatais se somam nas comemorações da liberdade do amor! 
Yes, Obama, os espanhóis têm direitos iguais quanto a casamento faz 10 anos!
 
Ayuntamiento de Hortaleza (meu bairro).

Então é isso que temos para hoje: casar pode, protestar não!

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Exposição: Mapas de Accion de Yolanda Domínguez



Até 14 de março Espacioarte Serendipia recebe Mapas de Acción de Yolanda Domínguez.
No sábado, dia 14 de fevereiro, pela manhã tive a grata oportunidade de ouvi-la falar sobre sua trajetória e sua arte. Fiz parte de uma rota didática, diretamente com ela pude conhecer, debater e entender melhor todo o processo de criação e decisão da exposição.


Yolanda Dominguez é artista plástica, artista de ação, artista de rua. Eu a conheci pela ação Registro na qual ela convidou todas as mulheres da Espanha a ir a cartórios de registro de propriedade para deixar registrado a propriedade de seus próprios corpos, uma forma de protesto contra o anteprojeto de Lei de Aborto (finalmente arquivada no ano passado). 


A ação teve uma boa recepção dentro dos cartórios, incentivou muitas mulheres de várias cidades a fazerem o mesmo e compartilharem o pequeno protesto nas redes sociais. Para a artista, a arte como ação tem esta capacidade de transcender a autoria e mobilizar pessoas em torno de uma boa causa social.

Em 2011, Yolanda alcança merecido reconhecimentos pelo projeto Poses, vídeo que mulheres fazem parodias das posturas das modelos de revistas femininas. Através do humor, Yolanda mostra como a indústria da moda pode ser danosa as mulheres ao estabelecer e reproduzir padrões de beleza que são inalcançáveis.


Na rota didática conheci outras obras conhecidas relevantes pela própria artista.
Todo um prazer começar o carnaval e o Valentines`s Day assim!


Onde: Serendipia espacio|arte.
Calle del Infante 3. 28014 Madrid
2af a sábado de 11h as 21h.
Fechado: 4af das11h as 19h.



sábado, 3 de agosto de 2013

Tarado

Paco tem um amigo tarado. Inteligente, sociável e muito tarado. Para ele tudo se resolveria com sexo grupal, palavras de sua “pareja” – companheira de vida. 

Da última vez, ele insinuou que deveríamos trocar de parceiro e lançou um olhar “lascivo” para mim, mordendo os lábios. Falou somente para mim e “em tom de brincadeira”. Eu não respondi nada, fiquei em silêncio pelo outros 2 quarteirões que ele andou ao meu lado. 

Ele faz “brincadeiras em tons sexuais”. 

Ao Paco, ele diz para avisá-lo quando Fulana estará por ali porque gosta de vê-la caminhar com os peitos empinados. Paco responde que nunca percebeu como ela rebola porque está prestando atenção no que a mulher tem para falar. Também ele chamou de “escravas sexuais” mulheres que trabalham com o Paco, que olhou de volta com cara de “mano, você é louco!!??” e não estendeu o assunto porque eles estavam no ambiente de trabalho. 

Das duas vezes eu estava ao lado do Paco. Fiquei bem feliz com a atitude do meu companheiro que não deu margem as “bromas” – brincadeiras – da pessoa. Mas Paco também não peitou o cara de frente como seria a reação normal dele – quando Paco não concorda com alguma coisa todos ficam sabendo, bem rapidinho. 

Assim como eu, Paco sabe que tratar como um objeto as mulheres ao seu redor não é brincadeira, nem uma piada. É machismo ou micromachismo como estão chamando, é que eu ainda não entendi muito bem. 

Mas o cara se sente tão confortável na pele de “macho alfa” – como ele mesmo se chama – que não nenhum problema em dizer que eu estou bonita e que o verão me faz bem. Ele diz estas coisas em um tom de voz baixinho: gemendo. Faz isso quando estamos sozinhos: na cozinha da minha casa passando sua mão no meu braço enquanto eu estou entre a parede e a geladeira que abri para pegar algo de beber para ele. 

Ele não é burro: sabe que só pode falar estas coisas quando não há outras pessoas por perto, principalmente o companheiro desta mulher. Ele sabe que ele não deve tratar assim uma mulher, que ele não pode ver uma mulher como um objeto de sua satisfação sexual. Mas ele faz porque pode, porque a sociedade diz que tudo bem ele não ter respeito pela mulher, desde que honre (hipocritamente) o companheiro dela. 

Tenho verdadeiro asco da criatura – e ainda não consegui peita-lo de frente como faço quando não concordo com alguma coisa, todos sabem rapidinho. Ainda não tive coragem de contar ao Paco que o amigo dele me “elogia” – porque suas palavras não são elogios, são taras de um homem machista.

·         entre aspas estão palavras que todos usam para disfarçar o machismo.




NOVIDADES:

Uma noite de verão, enche me de coragem e despejei toda minha indignação no Paco. Falei, falei e falei ... Paco: porque você me diz isso agora? 
Eu disse que não sabia como abordar isso que não sabia como contar situações que podem ser “pequenas” mas que me incomodam muito. Paco: mas ele é inofensivo. Eu: inofensivo é o caralho! Isso é machismo e você está sendo machista falando isso. Paco ficou quieto, me abraçou tentando me consolar. Para terminar eu disse: estou te avisando que da próxima vez que o tarado falar besteira eu vou responder; não vai ser bonito e talvez seja em português. Oremos!



quinta-feira, 6 de junho de 2013

Educação sexual para decidir, contraceptivos para não abortar, aborto livre e seguro para não morrer!

Em linhas gerais, o aborto na Espanha é/era por livre escolha da mulher, tratado pela via da saúde pública. Esse artigo de janeiro de 2012, faz um resumão: o que está/estava em vigor é a “Ley de Salud Sexual y Reproductiva de2010”.
Agora o que o ministro da Justiça quer reformar a atual lei de prazos – que permite abortar livremente até a 14 semana de gestação - para um “sistema de supuestos” em que as mulheres terão que alegar os motivos para a sua decisão. Se o motivo não está entre os critérios de despenalização é crime, ou seja, o aborto passa a ser um problema de justiça.
A nova lei se inspirará na “defesa do direito a vida” tal e como definiu a Constituição de 1985. Segundo o ministro o que se pretende é desfazer uma desigualdade que “desprotege os direitos do no nascido”, é equiparar os direitos do “no nascido” aos direitos da mulher. Para mim esse é O problemão, que é semelhante ao Estatuto no Nascituro no Brasil. 

Como por aqui a coisa também está fervendo, o que se discute agora são os critérios de despenalização que seriam dos de estupro, má formação e risco de vida para a mulher. Os mesmos de muitos países, como o Brasil. O ministro de Justiça quer impedir o aborto por má formação de feto. O que esta gerando protestos e mais protestos dos dois lados. Veja aqui o protesto do “pró-vida” comparando a que abortam a Hitler.

Eu acho que o ministro está dando uma de espertinho: ao dizer que se identifica “con que desaparezca el supuesto deaborto por malformación”, ele está mudando o centro do debate. A questão é que a reforma que ele pretende quer cercear os direitos da mulher. Outra vez: como no Brasil. Tudo isso deixa claro que qualquer retrocesso é possível e que a vigilância pela garantia de direitos não pode nunca baixar a guarda.
Torço muito para que a Espanha e o Brasil, um dia e para sempre, sejam países onde o corpo da mulher seja dela de verdade e de direito! 

Por fim, deixo a campanha do Nosotrasdecidimosque comparto totalmente:
"La Mujer decide, la sociedad respeta, el Estado garantiza, las Iglesias no intervienen".









segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

14F: One billion rising Madrid

ONE BILLION RISING MADRID
Batucada por una vida sin violencia sexual

Jueves 14 de febrero de 2013, 20 horas
Plaza de Agustín Lara, Lavapiés, Madrid



"One billion rising" é a inciativa para trazer as ruas a temática da Violência contras as Mulheres e Meninas. 
É um convite para dançar para erradicar a Violência Domestica em todo o mundo, AGORA! 

A data de 14 de fevereiro fio uma escolha  proposital, já que se comemora o Dia de São Valentim ou o dia dos namorados no boa parte da Europa e EEUU. Era para lembrar que muitas relações amorosas entre mulher e homem são relações de desigualdade e de agressões. 
No ano passado na Espanha 46  mulheres foram assassinadas por seus companheiros. Este ano já são 9 mulheres. Oficialmente, porque há subnotificação, como em todas as estatísticas de órgãos oficiais.
O que importa é que é um número grande de mulheres que são assassinadas de forma sistemática ano após ano. Podemos pensar em uma mulher morta nas mãos de seu companheiro por semana ao ano!

Plaza de Augustin Lara, Lavapiés.


Por isso que no dia 14 de fevereiro eu estive lá na praça de Lavapiés em Madrid.
Foi lindo! A praça estava cheia. A batucada foi emocionante, como a plataforma Fenimicio .net resume. 

A batucaca era quase que exclusivamente feminina. Mulherada mandou bem e seus companheiros assistiam com os filhos. Essa foi minha percepção. Vi muitos homens responsáveis pelo cuidado das crianças nas bordas da praça enquanto as mulheres ocupavam o centro e o protagonismo da noite. 

Eu gostei de ver um protesto com uma temática tão forte tão cheio de vida. 

Apesar de todos os esforços das diferentes plataformas feministas, há sempre mais um muro de machismo a derrubar, como hoje que o ator e deputado por UPyD "Toni Cantó se ha levantado esta mañana con ganas de cuestionar la violencia de género". Ele acreditava que os números da violência doméstica favoreciam as mulheres (hã!) porque estas mentem e que estava denunciando o que podia ser uma violência contra os homens. Depois da pressão das redes sociais, o deputado se desculpou, aqui. Quer dizer até então ele não achava que estava dizendo nada de mais até ser duramente criticado.
O caso #ToniCantó é só um pequeno e pontual exemplo de que a  Violência contra Mulheres e Meninas precisa ter levada a sério.

Faça um favor a si mesmx e a todxs, torne-se Feminista!!