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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Exposição: Mapas de Accion de Yolanda Domínguez



Até 14 de março Espacioarte Serendipia recebe Mapas de Acción de Yolanda Domínguez.
No sábado, dia 14 de fevereiro, pela manhã tive a grata oportunidade de ouvi-la falar sobre sua trajetória e sua arte. Fiz parte de uma rota didática, diretamente com ela pude conhecer, debater e entender melhor todo o processo de criação e decisão da exposição.


Yolanda Dominguez é artista plástica, artista de ação, artista de rua. Eu a conheci pela ação Registro na qual ela convidou todas as mulheres da Espanha a ir a cartórios de registro de propriedade para deixar registrado a propriedade de seus próprios corpos, uma forma de protesto contra o anteprojeto de Lei de Aborto (finalmente arquivada no ano passado). 


A ação teve uma boa recepção dentro dos cartórios, incentivou muitas mulheres de várias cidades a fazerem o mesmo e compartilharem o pequeno protesto nas redes sociais. Para a artista, a arte como ação tem esta capacidade de transcender a autoria e mobilizar pessoas em torno de uma boa causa social.

Em 2011, Yolanda alcança merecido reconhecimentos pelo projeto Poses, vídeo que mulheres fazem parodias das posturas das modelos de revistas femininas. Através do humor, Yolanda mostra como a indústria da moda pode ser danosa as mulheres ao estabelecer e reproduzir padrões de beleza que são inalcançáveis.


Na rota didática conheci outras obras conhecidas relevantes pela própria artista.
Todo um prazer começar o carnaval e o Valentines`s Day assim!


Onde: Serendipia espacio|arte.
Calle del Infante 3. 28014 Madrid
2af a sábado de 11h as 21h.
Fechado: 4af das11h as 19h.



quinta-feira, 6 de junho de 2013

Educação sexual para decidir, contraceptivos para não abortar, aborto livre e seguro para não morrer!

Em linhas gerais, o aborto na Espanha é/era por livre escolha da mulher, tratado pela via da saúde pública. Esse artigo de janeiro de 2012, faz um resumão: o que está/estava em vigor é a “Ley de Salud Sexual y Reproductiva de2010”.
Agora o que o ministro da Justiça quer reformar a atual lei de prazos – que permite abortar livremente até a 14 semana de gestação - para um “sistema de supuestos” em que as mulheres terão que alegar os motivos para a sua decisão. Se o motivo não está entre os critérios de despenalização é crime, ou seja, o aborto passa a ser um problema de justiça.
A nova lei se inspirará na “defesa do direito a vida” tal e como definiu a Constituição de 1985. Segundo o ministro o que se pretende é desfazer uma desigualdade que “desprotege os direitos do no nascido”, é equiparar os direitos do “no nascido” aos direitos da mulher. Para mim esse é O problemão, que é semelhante ao Estatuto no Nascituro no Brasil. 

Como por aqui a coisa também está fervendo, o que se discute agora são os critérios de despenalização que seriam dos de estupro, má formação e risco de vida para a mulher. Os mesmos de muitos países, como o Brasil. O ministro de Justiça quer impedir o aborto por má formação de feto. O que esta gerando protestos e mais protestos dos dois lados. Veja aqui o protesto do “pró-vida” comparando a que abortam a Hitler.

Eu acho que o ministro está dando uma de espertinho: ao dizer que se identifica “con que desaparezca el supuesto deaborto por malformación”, ele está mudando o centro do debate. A questão é que a reforma que ele pretende quer cercear os direitos da mulher. Outra vez: como no Brasil. Tudo isso deixa claro que qualquer retrocesso é possível e que a vigilância pela garantia de direitos não pode nunca baixar a guarda.
Torço muito para que a Espanha e o Brasil, um dia e para sempre, sejam países onde o corpo da mulher seja dela de verdade e de direito! 

Por fim, deixo a campanha do Nosotrasdecidimosque comparto totalmente:
"La Mujer decide, la sociedad respeta, el Estado garantiza, las Iglesias no intervienen".