sexta-feira, 21 de março de 2014

Sábado de Carnaval

Este ano fiquei feliz que o carnaval foi mais cedo que no ano passado. Mas chegando sábado, que é o dia da festa de carnaval para os adultos, a chuva de janeiro voltou com tudo. Achei que não ia ser legal. Achei que o desfile de rua seria um fiasco. 

Poxa, quem seriam os loucos de ficar parado na rua com frio e chuva??
Nós, claro!! 
Ainda arrastamos uma madrileña que não botava fé que o carnaval de Madrid podia ser uma festa. Arrastamos também um menino do Recife que, enfim, não teve como fugir ao som e ao sol do nordeste brasileiro. 
E fomos, todos, recompensados com um desfile simples, mágico, lúdico que me fez sentir como uma criança!!






Diferente do ano passado, que o percurso passou por algumas partes da calle mayor em torno da Plaza Mayor, este ano o desfile desceu por um das ruas laterais do Parque do Retiro até na Plaza de Cibeles onde foi a queima de fogos. 




Owwww ... foi espetacular ... foi inesperado!



Depois, claro, fomos ao Maloka porque ser feliz é preciso e faz parte do carnaval!!


Maloka bar brasileño
Calle Salitre, 36
Lavapiés
28012 Madrid



quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Nossa casa


Nossa casa passou com louvor a revisão da "Inspección Técnica de Edificaciones".

No final de semana Paco e eu demos um trato na casa, uma pequena maquiagem destas que ressalta a beleza natural. 

Nossa casa é pequena, colorida e já antiguinha ... é a segunda revisão desde Paco veio para cá e minha primeira.
A próxima só em 10 anos! Esperaremos ... 

Quem diria que a ITE traria também a sensação de passado, presente e futuro.



domingo, 29 de dezembro de 2013

Cidade grande

Eu sei que moro numa cidade grande quando são 14 horas da tarde e já sei que vou chegar atrasada ao compromisso das 16 horas. A escolha é chegar 5 ou 30 minutos mais tarde do horário combinado. 
Sendo filha de inglês e crescida no Brasil a pontualidade sempre foi uma questão dúbia: eu tento loucamente chegar na hora e tem dias que não consigo mesmo por mais que eu me esforce. 
Na Espanha, pontualidade é com 10 minutos de tolerância, depois disso é atraso. E aqui tudo funciona nos horários mais estranho para o resto do mundo. Tipo 16h é depois do almoço; é o começo da tarde, quando o resto do mundo já está pensando na “merenda”, no café da tarde. Tento me enquadrar mas tem dias que não é possível.



Na semana passada, as 14 horas, eu corri e corri para tentar não chegar atrasada na aula das 16h. Na estação de Chamartin, subi os 4 andares da plataforma a saída do metro super rápido, percorri a distância até a estação de trem como se fosse uma prova de atletismo de 200 metros com barreiras, subi as ultimas escadas com a certeza do meu atraso. Respirei fundo tentando ver onde estava meu trem quando vi uma “compi”* de aula super tranquila e sorridente. Ao me aproximei, ela me disse: “Tranquila, que chegamos”. 

Em uma mesma cidade mora a loucura e a calma. 



*compi de “compañera” = colegas de classe.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Frases da Sogra


A mãe do Paco é uma mulher do norte da Espanha, da região de Palencia. Parece que é uma região de contrates que reflete na linguagem, para ela nada é neutro. Qualquer coisa ou é muito, muito boa – excelente – ou é muito, muito ruim – malíssimo. Ela adora falar de comida, descreve detalhadamente o cardápio de vários restaurantes da vizinhança e qualifica as viagens com o grupo da terceira idade pelo que comeram. Para ela, Paco e eu fazemos uma boa viagem se paramos para comer. 

Se você quer que ela lembre se de ti, é só falar de comida, preferencialmente doce, melhor com nata, que eu descreveria como um chantili sem gosto e espumoso. Pronto, aí é só deixar rolar, ela vai fazer uma lista de vários lugares e em vários anos que a comida e as sobremesas são deliciosas. Para mim, o mais legal é que ela sempre fala assim:

“ahí nos dan de comer muy bien. Estupendo!”

E não é que é assim mesmo! Fora de casa, não somos seres ativos que pedimos, pegamos e exigimos. Fora de casa, nos dão de comer!

Outro dia ela me corrigiu quando conte que na minha família as crianças ganham pratos de doces no natal – cheios de pão de mel, after eight e marzipan. Ela me disse que os doces nos eram dados, meio como “se nos regalan dulces”. Poxa, me senti passiva na ação de ganhar presentes. 

Percebi que ela usa o passivo para várias ações: “el arroz que estamos gastando es de la marca SOS”. Fiquei imaginando o podre arroz puído, meio quebrado, como um sabonete que vai perdendo o volume no banho, quando já tivesse no final do pacote.